18.7.08

Float on.

Não sei se vocês sabem, possivelmente não, mas um dos caras que escreve aqui, o Gringo, adquiriu recentemente uma criatura canina.

Isso mesmo, crianças e velhinhas primeiro, o Gringo tem um cachorro.

E esse evento peculiar me fez pensar em como a gente vai adquirindo responsabilidades ao longo da vida. E principalmente no porquê disso acontecer.

É possível, e bastante viável, passar a vida toda incólume a essas coisas: evitar compromissos e amarras. Ter um emprego meio pau. Nunca se envolver com ninguém mais que o necessário. Alugar um apartamento qualquer, em um lugar qualquer, e decorar ele de um jeito qualquer.

Não conheço muitas pessoas que tenham a capacidade de se esforçar pra preencher todos os requisitos acima, mas tenho certeza que eles existem aos montes.
São os que vivem reclamando do emprego, do tempo, do petróleo, da demora, da ponta do lápis, da programação da TV, do Grêmio e os três volantes ou do cadarço que não pára amarrado.

A falta de vínculos faz com que a gente tenha a impressão de viver em liberdade, mas na verdade é mais uma condenação a quem não tem a coragem de enfrentar as próprias limitações.

Criar um filho, criar uma carreira, criar um futuro. São coisas que não saem do papel sem muito comprometimento. E pra isso é preciso abrir mão de certas coisas. Como a liberdade.

Não me surpreende que uma das figuras mais conhecidas em qualquer universo seja a do cara rico que não tem tempo para a família. É o típico caso de alguém que não soube manter o equilíbrio entre o compromisso e a responsabilidade. Mesma coisa pra quem abdica de uma oportunidade pra passar mais tempo com a família.
Não é certo ou errado, até aí não cabe discussão. Mas eu tenho a convicção de que sempre existe um meio-termo.

E acho que é por isso que a gente procura ficar cercado de coisas. Emprego, família, cachorro, namorada. É o pé no chão de uma vida que poderia ficar flutuando. Tudo isso nos dá senso de responsabilidade, a obrigação de prestar contar, e a satisfação de participar do mundo de forma ativa.

Ah. O nome do cão é Polenta Bazuca.

Um comentário:

Antônio disse...

Que lindo, Rech!
Quer casar comigo, adotar um cachorro e viver feliz para sempre?